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 Armagedon

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kurama
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MensagemAssunto: Armagedon   Qua Jun 24, 2009 12:13 pm

Citação :
Antes da história, um pouco de história, a idéia para esse conto surgiu a já um bom tempo atrás quando eu vi numa livraria um livro chamado "Deixados para trás", de cara eu odiei o livro e desde então eu vinha germinando a idéia de escrever algo na mesma linha, só que com qualidadeXD bom ai está, espero que gostem e essa história tem o intuito apenas de divertir não de oferecer respostas elevadas sobre o que é Deus, de onde viemos ou para onde vamos. Para essas perguntas use o google.

Livro 1
Despertar


São Borjas sempre foi uma cidade pequena desde o dia em que foi fundada, teve uma história de pequenezas sem importâncias e até mesmo seus mais famosos habitantes eram pequenos. Uma perfeita cidade do interior do Brasil, uma grande praça central e algumas fazendas não muito distantes. Uma cidade que poderia simplesmente ter deixado de existir a alguns meses e levariam anos até que alguém desse por falta dela, incrustada entre as montanhas, mas agora São Borja era grande, um centro de peregrinação para muitas cidades vizinhas e como a noticia se espalhava até mesmo gente das cidades grandes chegavam atraídas pelo profético visitante. Dezenas de barracas se aglomeravam em todo espaço disponível, a cidade fervilhava com a economia crescente, pela primeira vez desde que fora construído o pequeno hotel da cidade estava lotado, os restaurantes agora estavam sempre lotados e com pouca comida. A cidade fervilhava e se tornava grande e tudo por causa de um único visitante.

Era meio dia de domingo e todos estavam na praça esperando em frente a igreja, cantavam hinos e louvores. A igrejinha pequena, mas em breve ela cresceria, suas portas de madeira se abriram e passos ecoaram no tablado de madeira construído as pressas. Todas as vozes silenciaram e prenderam o fôlego esperando extasiados quando o visitante chegava com passos lentos distribuindo sorrisos. Era alto, cabelo da cor do ouro, sua pele acobreada refulgia no sol alto e seus dentes brancos como marfim decoravam seu rosto perfeito e suas vestes eram nada mais que uma toga branca que deixava muito de seu corpo a mostra, trazia ainda uma espada embainhada, pois, apesar de tudo era um guerreiro. Sorriu para a platéia e desengoçado imitou o ato humano de saldar com a mão. Todos se maravilharam em puro júbilo. Então ele começou a falar e sua voz era harmoniosa e bela. Falou por horas a fio sobre as maravilhas do paraíso e como a jornada na Terra era importante, falou sobre muito mais coisas e todos escutavam se esquecendo de comer, beber e dormir apenas para ouvi-lo, quando terminou de falar as pessoas bradaram seu nome, imploraram para que falasse mais e fizeram juras de nunca esquecer suas palavras, mas como a cada dia ao anoitecer ele se recolhia para dentro da igreja e não apareceria por mais sete dias inteiros que para as pessoas da cidade era um período amargo e se, graça de suas vidas, cumpriam seus afazeres apenas esperando para ouvir de novo as palavras do visitante.

Dentro da igreja o visitante se sentou na primeira fileira e o velho padre veio correndo lhe beijar os pés e lhe entregar um cálice do melhor vinho. O visitante sorriu em agradecimento e fez as perguntas de costume que foram avidamente respondidas pelo padre idoso.

-Sim, meu senhor. Fiz tudo conforme seus desígnios. Não espero entender os desígnios divinos, mas mesmo assim obedeço, pois sou o cordeiro de Deus.

O visitante sorriu e ordenou ao padre que lhe mostrasse. O padre correu para obedecer à ordem e em instantes trazia em suas mãos uma pesada caixa de madeira, arfava e suava pelo esforço, abriu a tampa e entregou ao visitante um rifle GR-8 Black Beauty. O visitante deixou seus olhos percorrerem pela arma de fabricação brasileira, deslizou os dedos pelo cabo de madeira e pelo cano de aço. Era antes de tudo um guerreiro e sabia reconhecer uma boa arma. Deitou novamente a arma dentro de sua caixa e deixou que o padre a levasse de volta a seu esconderijo com ordens de que providenciasse a compra de mais delas. O visitante se espreguiçou e relaxou por um instante enquanto ouvia do lado de fora sons do treinamento dos habitantes, seriam muito em breve um exercito, seu exercito, e não haveria questionamentos ou hesitações se entregariam a morte certa sem temer nada, pois o general do exercito seria o visitante. Seria Aliel, um cherubim, um anjo do Paraíso.
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kurama
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MensagemAssunto: Re: Armagedon   Ter Jun 30, 2009 12:40 am

Paulo era um homem comum de uma cidade comum do interior, já fazia mais de sessenta anos que ele levava uma vida simples e comum. Na cidadezinha a vida ia devagar, as pessoas nasciam, viviam e morriam como sempre haviam feito. Paulo agora tinha quase noventa anos e como nunca antes sentia a morte se aproximando. Sentia as velhas feridas doerem, feridas de uma vida antiga, antes da sua vida normal. Ele acordou naquele dia decidido que não iria mais morrer, que viveria para sempre e que fossem para o inferno todos os outros. Estava cansado daquela vida comum, dessas pessoas comuns, ele havia sido abandonado lá a muito mais tempo do que poderia agüentar, queria ter morrido antes, junto de seus amigos na linha de frente com uma bala no peito, a morte de um homem, de um guerreiro, e não morrer sozinho e esquecido numa fazenda no meio de lugar nenhum num paisinho de terceiro, sentia falta da pátria mãe, de seu antigo nome, de sua antiga vida quando ainda não era Paulo e de quando sua vida absolutamente não era normal.

Descia por uma escada que ninguém sabia que existia em sua pequena chácara, o corredor era feito de terra bruta e ele levava na mão uma pequena lanterna. Aquele era um templo e uma prisão. Muitos anos antes ele fora escolhido como guardião e então enviado além mar até a América do sul, com ouro ele pagou pela a terra e pela galeria secreta, mais tarde cientistas vieram e trouxeram a tecnologia necessária para manter a criatura presa e então se foram. Não havia mais nenhuma pessoa viva além dele que sabia exatamente a que se destinava a câmara. Entrou com passos vacilantes, agarrou logo um velho casaco numa parede, a temperatura dentro da sala chegava perto de zero. Paulo não se importava, onde havia nascido à temperatura chegava à bem menos do que isso. A sala era pequena, no centro havia um caixão de metal e deles saiam vários tubos, havia também uma máquina antiga que controlava a criogenia e seis grandes tubos de nitrogênio liquido. O nitrogênio circulava pelos dutos e mantinha a temperatura baixa. Uma prisão. Paulo com cuidado moveu os controles da máquina e o zumbido constante diminuiu até desaparecer, queimou suas mãos com o metal frio dos controles. Ele se sentou no chão aproveitando o frio que tanto lhe lembrava sua terra natal. Lentamente o gelo iria derreter e libertar o eterno prisioneiro.

Das trevas ele despertou, respirou fundo uma vez sentindo o oxigênio energizar seu corpo a muito adormecido. Seu corpo havia dormido por mais de setenta anos no gelo, se fosse humano ele já teria morrido, mas ele era bem mais do que isso. Sua pele formigava em contato com o ar, seus olhos estavam atrofiados, seus dentes estavam podres e não tinha mais cabelo. Ergueu as mãos cadavérica, brancas como cera de vela e quando tentou sair do caixão de metal três dedos necrosados caíram de sua mão direita, seu corpo estava magro e patético.

-Eu aceito o contrato. –A voz de Paulo saiu engasgada e tremulante, seu orgulho de guerreiro lutando contra cada palavra, ele sabia que era errado fazer aquilo, mas também sabia agora que tinha sido abandonado e agora tinha medo da morte, de morrer numa cama, invalido, ao invés da gloriosa morte em combate que sempre almejara.

-Comida!- A criatura grasnou com dificuldade em perfeito alemão.

Paulo não perdeu tempo, correu até a cozinha e apanhou no armário um pacote de bolachas, pão, salame e suco de laranja com soja na geladeira e correu de volta, obstinado. Com voracidade a criatura devorou toda a comida, seu corpo absorvendo cada grama do alimento, se regenerando, pediu por mais tão logo havia terminado e Paulo obedeceu prontamente logo voltando com mais comida. Primeiro seus músculos se reconstituíram, novos dentes nasceram para substituir os antigos podres, lentamente músculos e ossos davam sinais de regenerar os dedos perdidos, seus olhos de brancos e leitosos se tornaram novamente azuis e atentos. Grandes mestres se orgulham de ser capazes de controlar seus batimentos cardíacos, mas aquela criatura estava controlando cada minúscula reação química que ocorria em seu corpo.
-Eu acei...

-Já ouvi!-a criatura rosna irritada com a boca cheia de comida- Se lembra do meu preço?

-Eu... Eu não posso mais te dar um império, mas eu tenho algo melhor.

A criatura encarou Paulo o desafiando a continuar.

-Conhecimento, o conhecimento de milhares de bibliotecas.

Paulo estende a criatura um pequeno notebook conectado a internet. A criatura no começo não entendeu o aparelho, mas Paulo foi ávido em ensiná-la. A criatura sorri fascinada, realmente muito melhor que um império, toda a tecnologia humana ao seu alcance. Era afinal Sariel, o auto proclamado príncipe demônio da tecnologia.
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kurama
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MensagemAssunto: Re: Armagedon   Dom Jul 05, 2009 6:46 pm

Bastou uma procura rápida para que Paulo encontrasse o que desejava, grupos como aquele eram comuns em cidades grandes, mas dificilmente ele teria encontrado um deles na cidade onde vivia, não fosse a presença da universidade. Todos os anos centenas de novos estudantes chegavam, vindos de todas as partes do Brasil para estudar no campus, entre esses com certeza haveria alguns pertencentes a esses novos grupos, para Paulo apenas um bando de mauricinhos, filhos preguiçosos de uma democracia, que se achavam no direito de esbravejar contra o mundo, mas que pelo menos serviriam como cobaias.

Trajava o uniforme quase esquecido, caminhava com altivez quase sufocada pelos anos de vida mascarada, mas por baixo de todas aquelas mantas era ainda um militar, era ainda altivo e confiante, um guerreiro nato. Parou o carro em frente a porteira da chácara, dois adolescentes com pistolas semi-escondidas estavam de guarda. Desceu confiante, sem hesitar, um casaco longo escondendo-lhe as roupas.

Armas erguidas, ameaças vazias proferidas. Paulo deixa cair o casaco, deixa que eles vejam seu uniforme ainda impecável, tenente da SS. Pistola lugger 9 mm na mão. É levado para dentro.

Menos de trinta jovens se reuniam regularmente em lugares como aquele para pregar sua doutrina. Hoje todos olhavam em êxtase, mal acreditando. Paulo se postou a frente deles, inspirou fundo e falou:

-Bem vindos ao quarto Reich.
Lacônico como sempre fora, mas o bastante para enredá-los.

Brasília, sede do governo brasileiro. Fernando Brito, tenente do exercito brasileiro e atual encarregado da operação Retomada. Acomodado temporariamente em um pequeno escritório do Ministério da Defesa, mas já com um avião C-130 Hercules pronto e esperando.

Fernando não era de maneira alguma um novato na arte da guerra, já havia comandado operações no Haiti, mas essa era diferente, para começar seria uma operação em pleno solo Brasileiro contra um inimigo desconhecido. Uma oficial da inteligência entrou tirando sua atenção dos mapas.

-Temos novas informações sobre o inimigo.

-Sabemos quantos são?

-Não.

-Armas? Equipamentos?

-Não, senhor.

-Então que merda vocês descobriram?

-Temos as fotos dos aviões de reconhecimento, senhor.

Ela depositou um envelope grosso, cheio de fotografias aéreas, Fernando pegou a primeira. Uma das principais avenidas, carros abandonados, uma suástica gigante pintada na rua. O mesmo símbolo em muitas das outras fotografias espalhados pela cidade. Ele se sentou na cadeira, tirou uma garrafa escondida da gaveta e tomou um longo gole tentando imaginar em que tipo de pesadelo tinha se metido.
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kurama
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MensagemAssunto: Re: Armagedon   Ter Set 15, 2009 4:09 pm

Quatro caminhões carregados cruzaram a cidade, sol da manhã nascendo. Em um instante a cidade era cruzada e um centro de comando havia sido montado no departamento de policia da cidade, barricadas erguidas nas saídas da cidade e grupos avançados já procuravam pelos civis. Durante todo o trajeto as marcas da violência eram inegáveis: janelas quebradas, carros tombados, suásticas pichadas, sangue ao redor, mas nenhum corpo, nem mesmo partes de corpos. Cem mil cidadãos brasileiros desapareceram.

Lua cheia no céu, noite de caçada. Silenciosos e letais eles avançavam, não mais humanos, mudados pela ciência do demônio eram agora “arianos”. O expurgo começara na cidade e se espalharia tão logo se livrassem dos intrusos. A caçada começa com um uivo.

Quatro soldados vasculhavam o shopping da cidade e também aproveitavam a situação para “compras” de última hora. Passos silenciosos, mortes silenciosas.

Fernando piscava os olhos pesados de sono, iria chamar alguém para substituí-lo no rádio e iria dormir um pouco para o dia seguinte. Explosões cadenciadas, a .50 começava a disparar, Fernando tira a pistola Taurus 9mm do coldre, adrenalina no sangue e o sono não é mais importante, ele corre até a barricada improvisada no pátio. Os soldados aglomerados estavam tensos, um corpo caído ao longe, apenas uma sombra fora do alcance dos holofotes. O Tenente começou a interrogar os soldados, mas o som dos disparos preencheu a noite.

Quatro criaturas investiram, balas cravejando o corpo, mas sem diminuir a velocidade. A metralhadora pesada .50 deitou seu fogo sobre um deles e a criatura caiu finalmente, mas tarde de mais. Três delas pularam a barricada. Dois metros de altura, corpo peludo e musculoso, vagamente humano. Com suas mãos eles dilaceraram os soldados. Fernando correu para dentro, a pistola sem munição ainda na mão, ele agarra o radio, ajusta freqüência e grita por socorro.

Noite alta, quatro horas se passaram desde o pedido de socorro. Hércules C-130 sobre a cidade, pára-quedas negros caindo. Coronel Gabriel Barbarosa do 2 º batalhão de operações especiais comandava o pulo, o primeiro a atingir o solo. As tropas se movendo rápido sem hesitar, ocupando pontos estratégicos até alcançar a delegacia. Os restos destroçados de equipamento militar, mas nenhum corpo. Fernando com o radio ainda agarrado numa mão e o rifle na outra. O coronel destacou seis homens para vigilância.

Gabriel se aproximou do tenente, com cuidado o fez abaixar a arma e então pediu um relatório da situação.

-Eles são muitos! São milhares!- quase histérico- São demônios, eles mataram toda minha companhia, mas eles me deixaram vivo, me mandaram dizer que o quarto Reich está nascendo.

-Acalme-se soldado. Preciso saber que tipo de inimigo nós estamos enfrentando. –A voz não se alterara, mas ele dominava o lugar.

Os inimigos, explicou Fernando, haviam sido humanos, mas de alguma forma eram agora criaturas bestiais, apenas umas poucas ainda conservavam inteligência humana, todas elas tem pelagem branca e olhos azuis e muitas trazem marcado a ferro suásticas no peito, eles sempre levam os corpos dos mortos, tanto os deles quanto os dos humanos. Disse também que em breve eles estariam de volta para matar todos eles. Gabriel destacou um soldado para cuidar do tenente e ter certeza que ele não fizesse nada de idiota. Chamou o major Tiago.

Major Tiago era de longe o que carregava mais peso, além do equipamento ele carregava uma espingarda Benelle ao invés do fuzil de assalto M4 padrão e uma arma anticarro M3, a popular bazooka. Ele ainda trazia as ferramentas de seu oficio, formado pelo IME ele e seu batalhão integrado de engenheiros militares eram parte fundamental do batalhão.

Noite alta, as criaturas voltavam atrás de nova caçada, mas dessa vez os soldados já estavam prontos. Tiago observava atento através do binóculo de visão noturna, esperou ansioso até que as criaturas se aproximaram, algumas delas entraram, mas outras ficaram do lado de fora como cachorros obedientes. Contou mentalmente até cinco e apertou o detonador. Som de trovão e clarão, cargas C4 detonaram simultaneamente, a construção desmoronou, fragmentos letais voaram atingindo todos do lado de fora, cinco criaturas tombaram mortos e pelo menos dez gravemente feridas. Uivos na noite e mais delas vinham correndo pelas ruas, muitas mais a perder de vista. Tiago tirou um segundo detonador da mochila e fez cargas posicionadas explodirem e criaturas foram feridas e mortas, mas muitas mais continuavam vivas e avançando.

Alessandra era uma das poucas mulheres do batalhão de forças especiais, mas fazia valer seu posto, lutava tão bem quanto qualquer homem e nunca admitia tratamento diferenciado, engatilhou seu fuzil de assalto M4, fez mira cuidadosa e disparou um tiro único, uma criatura tombou, mirou novamente e disparou, outra criatura tombou. Criaturas morriam pesadamente, mas pareciam não se importar, simplesmente avançavam confiando na força esmagadora de seus números. Os soldados do batalhão lutavam escondidos em casas e prédios se valendo de poder de fogo superior e emboscada para compensar a força bruta dos números.

Coronel Gabriel olhava através da potente luneta de seu rifle sniper HK PSG1, cada tiro matava uma criatura, mas elas eram simplesmente muitas. Escondido no telhado de uma casa térrea, atirando através de um buraco nas telhas. Comunicou pelo radio para todas as equipes se prepararem, as criaturas estavam agora invadindo as casas e o combate seria sangrento.

Tiago postado no telhado de um antigo supermercado verificou suas armas uma segunda vez, ouvia os passos enquanto as criaturas invadiam o lugar, mais passos e elas estavam na porta, a maçaneta é baixada, a porta é empurrada. Explosão. Tiago se abaixou instintivamente, tinha usado sua última carga de C4, mas a armadilha havia funcionado perfeitamente. Levantou-se rapidamente, correu através da porta pisando em cadáveres, uma criatura ainda meio viva tentou agarrar seu pé, mas ele foi mais rápido e sua espingarda destroçou a cabeça da criatura. Correu escada abaixo, saiu perto da seção de congelados, arrebentou a cabeça de uma das criaturas com um tiro, outra se aproximava, ele fez mira, mas a criatura foi mais rápida e com um golpe arrancou a arma da mão dele, Tiago pulou para trás, em todos os anos no exercito ele havia aprendido alguns truques, sacou sua outra arma, uma pistola magnun 45 customizada, disparou e a criatura tombou com seus miolos manchando a parede.

Gabriel mirava cuidadosamente, cada disparo era uma morte, totalmente centrado no alvo não notou a criatura que se aproximava a passos silenciosos pronta para um golpe letal, mas então Gabriel rolou por puro instinto, não havia visto a criatura, mas mesmo assim havia sabido que ela estava lá, a criatura urrou e atacou com um soco de marreta, Gabriel rolou de novo evitando o soco, sacou sua pistola e descarregou três disparos na cabeça. Se levantou, suava e ofegava, algo estranho estava acontecendo.

Um comboio de carros cruzava a noite, em cada carro marcado no capo uma cruz vermelha. Os ocupantes eram jovens de corpo, mente e espírito. Traziam a certeza absoluta daqueles que não sabem de nada. O mais luxuoso dos carros era conduzido pelo próprio Aliel. O cherubim sorria, esse seria o primeiro teste de seu exercito.

Os jovens entraram com a fúria de uma turba, atiravam em tudo que viam e no que não viam, aceitavam engodos e recuavam quando deviam atacar. Morriam em quantidade nas garras das criaturas, mas suas armas de fogo ceifavam os inimigos. Aliel ia à frente, mas não usava armas de fogo, apenas sua espada. Era rápido e letal, a cada corte decepava braços ou cabeças, nunca ficava em um mesmo lugar mais do que um instante.

Alessandra atirava de costas para a parede, dois companheiros estavam mortos estirados no chão, já havia descartado o fuzil M4 e agora usava sua pistola Glock 9mm, 9 balas ainda no pente e muitas criaturas a frente. De repente gritos, bravatas e tiros, jovens trajando mantos brancos e rifles negros, dois deles entraram na sala onde Alessandra estava. O restante prosseguiu na caça das criaturas. Os dois sorriram, engatilharam suas armas, um deles murmurou uma oração. Alessandra suspirou, empunhou a pistola, investiu. Os dois atiraram, Alessandra foi atingida de raspão por um dos disparos, mas antes que eles pudessem atirar de novo ela disparou e os dois caíram mortos.

Gabriel não ficava parado mais do que um instante: mirava, atirava e corria. Estava na rua, inimigos aos montes em cada esquina, além das criaturas quase-humanas neo-nazistas agora havia um bando de adolescentes pirados com armas de fogo. Foi então que ele parou, a sua frente um homem em vestes brancas e uma espada ao invés de rifle, físico de guerreiro e olhar de assassino, a batalha começou com uma estocada. Gabriel tentou aparar o ataque com seu rifle, mas Aliel com habilidade refinada conseguiu o desarmar e ainda abrir um corte em sua bochecha. Aliel com calma perturbadora golpeou horizontalmente pronto para despachar mais um adversário, mas Gabriel saca num instante sua faca, desvia o golpe, fica colado no cherubim e com um movimento de pulso enterra a lamina no ombro dele fazendo sangue branco escorrer.

Aliel recuou, seu ombro esquerdo sangrava em profusão, golpeou novamente, mas Gabriel bloqueou com sua faca, rilhou as laminas até as armas ficarem paralelas ao chão e aplicou um soco, toda sua força no punho esquerdo, o cherubim se desequilibrou e caiu, antes que ele pudesse reagir Gabriel estava sobre ele, à faca encostada no pescoço.

-Identifique-se. -duro, chegando ao feroz.

Aliel focou sua mente, tentou se esquecer do mundo ao redor e se concentrar apenas na sinfonia celestial, orou rapidamente pedindo ajuda e liberou toda energia que conseguiu acumular. Gabriel foi arremessado para trás, como se uma marreta tivesse atingido seu peito. Cambaleou para trás, o chão parecia sumir a seus pés e ele acaba caído no chão, sentia pelo menos uma costela solta. Aliel sorria sadicamente, apanhou sua espada com a mão esquerda. Se aproximou do humano lentamente adorando cada instante que antecedia a morte de um oponente que conseguira lhe tirar sangue, encostou a espada no peito dele, a lamina abrindo um pequeno corte, sua mente centrada na sinfonia celestial e então o mundo de Gabriel foi dor, eletricidade correndo através da espada fazendo o coronel humano se contorcer involuntariamente. Aliel ria loucamente, de todos os seus poderes o que mais gostava era da canção do trovão.

Tiro de espingarda e mais uma criatura tomba com a cabeça arrebentada. Tiago abria caminho brutalmente, sua espingarda destroçava os corpos por mais peludos ou musculosos que fossem. Avançava caçando criaturas dentro de um dos maiores prédios, desceu até o subsolo onde seria a garagem, mas o lugar havia sido alterado, transformado em uma espécie de hospital e laboratório, algumas criaturas feridas gravemente estavam em macas, algumas sedadas outras agonizando. Vários equipamentos médicos, provavelmente trazido do hospital, estavam jogados meio ao acaso, um homem loiro de olhos claros dissecava um corpo humano, ao seu redor e pelo chão havia potes e mais potes com órgãos embalsamados. Outro homem estava perto, o peito nu ainda marcado as cicatrizes de diversas cirugias, seus braços com marcas de muitas agulhas. Quando colocou a camisa Tiago viu surpreso que ele vestia o uniforme de um oficial nazista, impecável e limpo como se recém saído de um desfile. Recarregou silenciosamente a espingarda e avançou, antes que os dois pudessem perceber atirou no oficial, à bala o atingiu, mas ele pareceu mal perceber. O oficial sacou uma pistola luger 9 mm, padrão do antigo exercito alemão e disparou três vezes. Tiago sentiu dois impactos diretos no colete e cambaleou, o oficial investiu, agarrou o soldado pelo pescoço fazendo força, o sentindo sufocar.

Tiago entre a vida e a morte, sentia o ar começando a lhe faltar, tentou erguer a espingarda, mas o outro a arranca de sua mão com um golpe. Beirando a inconsciência, puxa algo de seu cinto, apenas uma chave de fenda. Sem nem precisar pensar ele estoca direto no olho. Paulo recua em dor, arranca a chave do olho, sabe que o ferimento vai se curar, mas mesmo assim a dor era horrível, ele joga longe a chave de fenda, saca sua pistola, pronto para eliminar o soldado imprestável.

Tiago sorri, a criatura se volta para ele, mas, no chão, já estava com sua arma em posição, não a espingarda nem mesmo a pistola, mas a sua arma anticarro M3.

Paulo viu o projétil voando em sua direção e estava paralisado, não poderia ser daquele jeito, não depois que havia vendido sua alma a um demônio, não depois de tudo que havia feito para ser jovem de novo, mas assim foi. Explosão e os restos carbonizados são jogados longe.

Tiago se ergue com um pouco de dificuldade, o outro homem ainda entretido dissecando, encosta a pistola na cabeça dele e Sariel sem escolha se rende.

Aliel ainda sorria, preparava o último golpe, atrasando de propósito a morte daquele humano para poder se deliciar com sua agonia, mas ele precisava cuidar de seu exercito e ainda tinha um demônio a caçar. Ergueu a espada, pronto para uma decapitação. Tiro, Aliel viu o mundo escurecer e de repente tudo era em vão, toda a guerra, toda a intriga e o treino, todas as mentiras, pois Aliel morria. Coronel Gabriel sorriu ao ver Alessandra, o cano da pistola ainda fumegando.

O sol nascente trouxe junto uma divisão de blindados, os tanques entraram na cidade terminando o serviço das forças especiais. Não houve misericórdia com o inimigo, não poderia haver com um inimigo que tão abertamente havia desafiado a soberania Brasileira. Os blindados EE-11 Urutus e os tanques Leopard 1A5 avançaram cidade adentro expurgando todos os inimigos, criaturas neonazistas ou soldados de deus sem distinção.

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